Laura K Sem categoria San Marino: Vista-se para viver dias cinematográficos na pequena e mais antiga república do mundo

San Marino: Vista-se para viver dias cinematográficos na pequena e mais antiga república do mundo




Vista-se para viver dias cinematográficos na pequena e mais antiga república do mundo: San Marino.

San Marino foi fundada em 301 d.C. Trezentos e um! Por um pedreiro chamado Marinho que fugia da perseguição cristã do imperador Diocleciano e resolveu que aquela montanha nos Apeninos seria um bom lugar para viver livre. E pronto: nasceu a república soberana mais antiga do planeta, com seus 61 km² encaixados dentro da Itália como um brigadeiro numa caixa de bombons.


Em 301 d.C. já existia alguém que decidiu construir sua marca pessoal em vez de trabalhar para alguém. E poético: ele era pedreiro. Construiu literalmente.

Tem aproximadamente 33,5 mil habitantes, três torres medievais no topo do Monte Titano a 756 metros de altitude, e desde 2008 é Patrimônio Mundial da UNESCO.
Centro histórico e montanha, juntos. E praticamente ninguém fala sobre isso.
No cinema, San Marino apareceu poucas vezes, mas é inegociável que a república inteira é um set a céu aberto. Em 1948, o diretor polonês Michał Waszyński filmou “Lo sconosciuto di San Marino”, com nada menos que Anna Magnani e Vittorio De Sica. A trama? Um homem com amnésia chega à república entre refugiados da Segunda Guerra. Por ser manso e gentil, conquista todos, especialmente uma jovem meretriz. Em uma cena de arrepiar, ele atravessa milagrosamente um campo minado que cercava San Marino para se juntar a uma trupe polonesa. Quando a memória volta, descobrimos que ele era um soldado nazista. Ou seja, o cara era gentil, charmoso, amado por todos. E era um nazista. A amnésia foi a melhor estratégia de relações públicas inventada. O filme arrecadou 71 milhões de liras.

No ano seguinte, “Prince of Foxes” (1949), com Tyrone Power e Orson Welles, adapta o romance de Samuel Shellabarger sobre a Itália renascentista de 1500. Cesare Borgia conspira para unificar a península, e o The Guardian destacou as “impressivamente encenadas cenas de guerra renascentista”, incluindo um cerco ao glorioso castelo do século XIII no Monte Titano. Indicado a dois Oscars. Orson Welles como Cesare Borgia é o tipo de casting que faz você pensar: “Claro que era ele. Quem mais poderia interpretar um homem que queria dominar toda a Itália com aquele sorriso?”.
E em 2024, a Secretaria do Turismo samarinese decidiu que era hora de investir em cinema-turismo. Produziu “Tornando a Est”, de Antonio Pisu, uma spy-comedy onde três amigos (Lodo Guenzi, Matteo Gatta e Jacopo Costantini) são confundidos com espiões internacionais, com imagens de abertura que valorizam o território.
E “Operazione salvataggio”, filme histórico também rodado na república. Três amigos confundidos com espiões. Em San Marino.
Na literatura, Samuel Shellabarger assina “Prince of Foxes” (1947), best-seller que acompanha Andrea Orsini, artista, soldado e diplomata a serviço de Cesare Borgia, pela Itália de 1500, e permaneceu décadas em catálogo. Harry Turtledove, mestre da história alternativa, publicou “The Gladiator” (2007), volume 5 da série Crosstime Traffic, ambientado em Milão no ano de 2097 numa linha temporal onde a União Soviética venceu a Guerra Fria. San Marino surge como enclave de resistência. Venceu o Prêmio Prometheus de 2008, empatado com “Ha’penny”, de Jo Walton. E o samarinese Roberto Monti assina “He, I Say, He” (ou “A Flash of Black Light”), ficção de autor local.


Agora, o que você realmente precisa VER e PROVAR.
  • Suba de teleférico partindo de Borgo Maggiore até o centro histórico.
  • As três torres, Guaita (século XI, a mais antiga), Cesta e Montale, formam o emblema da república, com panorama dos Apeninos ao Mar Adriático.
  • A Praça della Libertà abriga o Palazzo Pubblico, onde acontece a cerimônia da Troca da Guarda. Guardas em uniforme histórico verde e branco, como se a moda renascentista tivesse sobrevivido só para você fotografar.
  • A Basílica de San Marino, em estilo neoclássico, guarda relíquias de São Marinho. O pedreiro cristão que fugiu de Diocleciano em 301 d.C., se refugiou no Monte Titano e virou santo padroeiro de um país inteiro. Na vida, você pode literalmente fugir de um imperador romano, subir uma montanha e fundar uma nação. Isso não é roteiro de cinema, é biografia.
  • O Museu Estatal, no Palazzo Pergami Belluzzi, reúne 5.000 peças arqueológicas, artísticas e numismáticas.
  • O Museu de Armas Antigas, na Fortaleza de Cesta, exibe mais de 700 peças. Espadas, armaduras e bestas.
  • E a Cava dei Balestrieri, antiga pedreira medieval ao pé das torres, hoje palco da tradicional competição de tiro com besta.
Os nove castelli, municípios históricos, espalham-se pelos 61 km² como cenários de atos diferentes. Nove municípios em 61 km². Para contexto: São Paulo tem mais gente no trânsito da Paulista na hora do almoço do que San Marino tem em todo o país. E eles ainda têm nove prefeitos. A eficiência é questionável. O charme, inegociável.

E já que estamos falando de charme, a flora e fauna samarineses são o cenário que o cinema não precisou inventar.
  • O Monte Titano é coberto por florestas de carvalhos e pinheiros, com trilhas que serpenteiam até os penhascos onde aves de rapina nidificam como se fossem vigias da república.
  • Há mais de 80 espécies de orquídeas selvagens catalogadas no território.
  • Raposas, javalis e doninhas cruzam os bosques protegidos dos Boschi di San Marino como extras de um filme que ainda não foi filmado. E que deveria.
Agora, a parte saborosa. San Marino tem gastronomia própria. Não é só comida italiana com carimbo de outro país.
  • Come-se a piadina romagnola, pão achatado servido com queijo Squacquerone e frios, que é o tipo de coisa que você prova uma vez e nunca mais consegue comer pão de forma normal.
  • A Torta di Tre Monti é o doce-símbolo da república: bolo de chocolate e nozes inspirado nas três torres.
  • E os vinhos. Porque obviamente eu ia chegar nos vinhos. San Marino produz rótulos próprios com denominação de origem controlada, a DOC San Marino: Brugneto, Biancale, Moscato, Sangiovese e Roncale, elaborados pelo Consorzio Vini Tipici di San Marino, que abre suas portas para visitas e degustações.
  • Há azeite extra-virgem local, prensado dos olivais dos vales, e trufas colhidas nas florestas do território.
Para quem busca oportunidades de compras, o San Marino Outlet Experience é um outlet de nova geração, recentemente inaugurado, que se tornou parada obrigatória para quem combina turismo e moda. Marcas premium em ambiente pedestre e elegante. Alguns heróis cinematográficos usam armaduras e outros preferem Prada, como nós, certo? E ps.: o país é tax free.

Como chegar: San Marino não tem aeroporto. O acesso mais comum é via Bolonha (130 km) ou Rimini (24 km), de ônibus ou carro. Brasileiros não precisam de visto para estadia turística. A moeda é o euro, apesar de San Marino não ser país da União Europeia. Eles usam, colocam a cara deles nas moedas e seguem a vida. O idioma é italiano. Vá na primavera ou no outono: no verão, as multidões italianas lotam o centro histórico como se fosse um set de filmagem sem diretor.

Vista seu melhor trench coat para as torres, alfaiataria para o Palazzo e linho para o Adriático. San Marino é pequena , mas grande o suficiente para ser inesquecível para nós.

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Post

7 Vinhos com + 15% de Desconto: Especial Copa do Mundo Coloração Pessoal: Os Azuis de Cada Paleta Coloração Pessoal: Os Verdes de Cada Paleta 7 Passos Para Se Vestir Como Uma Italiana Coloração Pessoal: Os Vermelhos de Primavera Coloração Pessoal: Os Vermelhos de Outono Coloração Pessoal: Os Vermelhos de Inverno Coloração Pessoal: Os Vermelhos de Verão Chemise: 5 Looks Para Desfilar nas Viagens ao Litoral Chemise: 5 Looks Chic